• Entervista ao Presidente da Direcção Eng. Manuel Maria Valente Meneses

Compreender e conhecer melhor a Adega Cooperativa de Moncorvo, fundada em 1962, passa, indubitavelmente, por conhecer as ideias, passadas a palavras, do seu actual presidente, Manuel Maria Valente Meneses, um garante da continuidade da forma de trabalho de todas as direcções desde a génese da adega, que tem “vindo a evoluir progressivamente, à medida que existe capacidade financeira, quer tecnologicamente, quer ao nível das instalações”. A chave está em “investir pouco, mas sempre”.

A região em que se insere a área social da adega tornou-se, por decisão da UNESCO, em Dezembro de 2001, Património Mundial da Humanidade, pelo que se previa um aumento substancial de turistas. No entanto, segundo o presidente da adega, “o turismo ainda não existe com a dimensão com que era, eventualmente, esperado”. Manuel Meneses vai, aliás, mais longe, garantindo que a região “pouco ou nada lucra com isso”, uma vez que os turistas sobem o Douro de barco, que “lhes fornece dormida e refeições”, e acabam por apenas fazer um “pequeno passeio pela região”.

Está, no entanto, mais expectante em relação à possibilidade da criação da Nova Comunidade Urbana do Douro uma vez que, embora existam “perspectivas diferentes e divergentes”, podem “criar-se condições para que existam mais-valias”. A forma de trabalho da adega, no entanto, “permanecerá inalterada”.

A produção, anualmente, é de cerca de 65% de vinho generoso e 35% de vinho de consumo, sendo que a “maior procura é do generoso, cujo mercado está assegurado” e que, mais tarde, é transformado no Vinho do Porto. Os vinhos de mesa, por seu lado, “não têm grande valor, na medida em que sofrem concorrência directa dos vinhos espanhóis”. Ainda assim, os vinhos de Qualidade “terão mais futuro”, embora com muita concorrência estrangeira.

Quando questionado acerca da concorrência em relação a adegas portuguesas vizinhas, o presidente da adega garante que a sua postura passa por “não fazer concorrência” e chega a defini-la como “uma maneira de estar na vida”, até porque a área social, que é actualmente a mesma que existia à data da fundação, “é suficiente” para alcançar os objectivos a que se propõem e que passam, essencialmente, pela “satisfação das necessidades dos associados”, através da “valorização dos produtos”. Já com este propósito, a adega envolveu-se, há cerca de 10 anos, num projecto com um investimento de cerca de 1 milhão de contos (5 milhões de euros) que junta 5 adegas cooperativas e que prevê que venham a entrar no mercado, a curto prazo, com marcas conjuntas de todas as adegas, bem como com marcas individuais.

Um outro projecto, mais recente, é o “de actualização das instalações, comparticipado por fundos comunitários”, que ronda os 220 mil contos (um milhão e cem mil euros). Isto torna-se importante uma vez que “os edifícios, que são os de origem, precisam de recuperação”, além de novo equipamento.

Prevê-se, ainda, a criação de uma loja de compra e venda directa ao público que passará, “de imediato, pela comercialização de vinhos de mesa”.

Confrontado com o facto de, pelo menos aparentemente, não existirem divergências internas e de o modus operandi da adega se manter inalterado desde a sua origem, o presidente da direcção tem uma explicação simples: “nunca se misturou política partidária com políticas internas, pelo que tudo corre bem”.