• Torre de Moncorvo – Enquadramento histórico, económico e paisagístico

Torre de Moncorvo, que já recebeu o epíteto de vila mais citadina do Nordeste, situa-se perto do local onde o Sabor desagua no Douro, rios que, aliados ao Vale da Vilariça e à Serra do Reboredo, marcam a paisagem do concelho. A flora primitiva, a que se vieram juntar as vinhas, as oliveiras e as amendoeiras, é muito variada, com especial presença de carvalhos, medronheiros, sobreiros, cedros, castanheiros, pinheiros e orquídeas bravas. A fauna, distribuída pelas margens selvagens dos dois rios, é rica em espécies em vias de extinção como as águias pesqueiras, os falcões, o açor, os lobos, os corços, os gatos selvagens, as lontras e as cobras bastardas.

Habitada, nos primórdios, por celtas, romanos, suevos e muçulmanos, foi, mais recentemente, a maior comarca do país, com jurisdição até às pontes de Chaves e de Amarante.

Há cerca de 500 anos, a sua importância era reconhecida por todo o reino. Por aqui passaram inúmeros peregrinos, oriundos de várias regiões europeias, a caminho de Santiago de Compostela. A sua Cordoaria Real fabricava cabos e velas para as embarcações dos descobrimentos. Uma curiosidade, que revela, também, a importância de Torre de Moncorvo, é o facto de esta ter possuído, durante muito tempo, padrões exclusivos de medidas de capacidade para líquidos.

O seu centro histórico, predominantemente setecentista, tem grande incidência de comércio e serviços e está repleto de monumentos. Os destaques vão para as igrejas matriz e da Misericórdia, o Museu do Ferro (Solar do Barão de Palme) e os dois chafarizes.

No resto do concelho, salientam-se a Ermida de N.ª Sr.ª da Teixeira e o templo românico, na freguesia da Açoreira, um lagar comunitário de cera, em Felgueiras, a igreja da Adeganha, uma povoação fortificada medieval, em Derruída, a igreja de Carviçais e o Santuário de St.º Apolinário, em Urros.

Moncorvo, além do ferro, proveniente da Serra do Reboredo, é também famoso pelo seu azeite, o seu vinho, a cestaria artesanal de Carviçais e, claro está, as suas amêndoas cobertas, cujo processo de fabrico é extremamente moroso.